Até que Todos Cheguem à Maturidade

Série: Igreja Madura – Parte 6
Baseado no culto de 02/08/2026

Ao longo da série “Igreja Madura”, vimos que Cristo chama, une, distribui graça, levanta trabalhadores e equipa os santos. Tudo isso aponta para um objetivo maior: formar um povo parecido com Cristo.

Paulo resume esse propósito em uma das declarações mais profundas de Efésios:

“Até que todos cheguemos à unidade da fé e do pleno conhecimento do Filho de Deus, à perfeita varonilidade, à medida da estatura da plenitude de Cristo” (Efésios 4:13 — ARA).

A expressão “até que todos cheguemos” revela que existe um destino para a caminhada cristã. O evangelho não nos chama a permanecer para sempre no mesmo estágio. Ele nos convida a crescer, avançar e amadurecer.

Pense em um pai ensinando o filho a andar de bicicleta. No início, ele coloca as rodinhas, segura o banco e corre ao lado da criança. Depois, aos poucos, retira os apoios. O objetivo nunca foi criar dependência das rodinhas ou do pai. O objetivo era produzir equilíbrio e maturidade.

Da mesma forma, Deus coloca pessoas, ministérios, discipuladores e processos ao nosso redor para nos ajudar a crescer. Seu propósito é formar em nós estabilidade, discernimento e caráter. A maturidade é o destino da Igreja.

O autor de Hebreus declara: “Por isso, pondo de parte os princípios elementares da doutrina de Cristo, deixemo-nos levar para o que é perfeito” (Hebreus 6:1 — ARA).

Isso não significa abandonar os fundamentos da fé. Significa aprendê-los, vivê-los e continuar avançando. Chega um momento em que o discípulo precisa sair do começo e buscar alimento sólido. Os fundamentos são indispensáveis, mas existem para sustentar uma construção.

Paulo também reconheceu que ainda estava em processo: “Não que eu o tenha já recebido ou tenha já obtido a perfeição; mas prossigo para conquistar aquilo para o que também fui conquistado por Cristo Jesus” (Filipenses 3:12 — ARA).

Tempo de igreja não significa maturidade. Uma pessoa pode frequentar cultos durante muitos anos e continuar reagindo com orgulho, ressentimento e resistência à correção. A pergunta não é há quanto tempo estamos no Reino, mas se hoje estamos mais parecidos com Cristo do que antes.

A maturidade exige movimento. Paulo afirma:

“Esquecendo-me das coisas que para trás ficam e avançando para as que diante de mim estão, prossigo para o alvo, para o prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus” (Filipenses 3:13-14 — ARA).

Existem experiências do passado que precisam ser tratadas. A maturidade não consiste em negar a dor, fingir que nada aconteceu ou esconder feridas. O discípulo maduro reconhece suas demandas, busca cura e decide não construir toda a sua identidade em torno delas.

Muitas pessoas não avançam porque continuam olhando para trás. Paulo nos mostra um caminho: entregar ao Senhor aquilo que passou e prosseguir em direção ao alvo.

Esse alvo não é uma posição, um cargo ou o reconhecimento das pessoas. O alvo é Cristo. Quando entendemos que Deus é quem chama, forma e recompensa, continuamos caminhando com fidelidade.

Efésios 4:13 também revela que a maturidade é uma construção coletiva. Paulo não escreveu “até que cada um chegue”, mas “até que todos cheguemos”.

Ninguém amadurece sozinho. A maturidade acontece no Corpo. Ela é desenvolvida na convivência, no serviço, no perdão, na correção, no discipulado e no relacionamento com pessoas diferentes de nós. Muitas vezes, Deus utiliza justamente os relacionamentos mais desafiadores para confrontar nosso ego e aperfeiçoar nosso caráter.

A Escritura afirma: “Como o ferro com o ferro se afia, assim, o homem, ao seu amigo” (Provérbios 27:17 — ARA).

Um ferro sozinho não pode afiar a si mesmo. Ele precisa do contato com outro ferro. Da mesma forma, nenhum discípulo amadurece apenas ouvindo mensagens, assistindo a conteúdos ou frequentando reuniões sem construir relacionamentos.

A igreja do primeiro século perseverava “na doutrina dos apóstolos e na comunhão, no partir do pão e nas orações” (Atos 2:42 — ARA). Eles repartiam a vida, serviam uns aos outros e cresciam como povo.

Deus não criou discípulos solitários. Criou um Corpo.

Por isso, quem escolhe o isolamento normalmente estaciona espiritualmente. A comunhão não é apenas um momento agradável. Ela é parte do processo de amadurecimento. Na convivência, aprendemos a ouvir, ceder, perdoar, servir, honrar e amar.

Paulo também declara que devemos chegar “ao pleno conhecimento do Filho de Deus”. Esse conhecimento não é apenas intelectual. Não se resume a acumular informações bíblicas ou dominar conceitos teológicos. É um conhecimento profundo, relacional e transformador.

Uma pessoa pode conhecer profundamente a doutrina bíblica e ainda refletir pouco do caráter de Jesus. O conhecimento verdadeiro de Cristo transforma a maneira como pensamos, reagimos e tratamos as pessoas.

Jesus declarou: “E a vida eterna é esta: que te conheçam a ti, o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste” (João 17:3 — ARA).

Quanto mais conhecemos Cristo, mais somos confrontados por Seu amor, humildade, obediência e santidade. A maturidade não se mede apenas pelo quanto sabemos da Bíblia, mas pelo quanto nossa vida reflete o Autor da Palavra.

Por fim, Paulo apresenta o padrão da maturidade: “a medida da estatura da plenitude de Cristo”.

O padrão não é outro pastor, líder, ministério ou igreja. Também não devemos medir nossa caminhada apenas pela comparação com outras pessoas. Cristo é o modelo. Ele é a medida e o alvo.

A Escritura ensina que fomos predestinados para sermos “conformes à imagem de seu Filho” (Romanos 8:29 — ARA). Também afirma que somos transformados “de glória em glória, na sua própria imagem” (2 Coríntios 3:18 — ARA).

O alvo da Igreja não é apenas parecer relevante para o mundo. É parecer-se com Cristo.

Uma igreja pode crescer numericamente, realizar muitos eventos e ainda permanecer imatura. O verdadeiro sucesso da igreja é Cristo sendo formado em Seu povo.

Paulo escreveu aos gálatas: “meus filhos, por quem, de novo, sofro as dores de parto, até ser Cristo formado em vós” (Gálatas 4:19 — ARA).

Esse é o sonho de Cristo para Sua Igreja. Ele morreu, ressuscitou, foi exaltado, distribuiu dons, levantou trabalhadores e equipou os santos para formar um povo que reflita Seu caráter.

Talvez você já esteja servindo, mas ainda precise amadurecer. Talvez conheça a Palavra, mas ainda lute com orgulho, impaciência ou falta de perdão. Cristo não desistiu de você. Ele continua trabalhando.

Hoje, a pergunta não é apenas o que você faz para Deus. A pergunta é: você está mais parecido com Cristo?

Que nossa oração seja: “Senhor, meu alvo não é apenas fazer coisas para Ti. Meu alvo é tornar-me parecido contigo. Ajuda-me a tratar o passado, voltar a caminhar, viver em comunhão e prosseguir para o alvo. Continua Tua obra em mim até que Cristo seja formado em minha vida.”

Porque o objetivo do Reino não é apenas formar discípulos ocupados, mas discípulos maduros.

Deus abençoe a sua vida!

Alexandre Paz