Série: Igreja Madura – Parte 7
Baseado no culto de 09/08/2026
Efésios 4:14 apresenta uma das marcas mais claras da maturidade cristã: deixar de ser levado de um lado para outro por qualquer influência, emoção ou ensino. Paulo escreve que não devemos mais ser “como meninos, agitados de um lado para outro e levados ao redor por todo vento de doutrina” (Efésios 4:14 — ARA).
O versículo anterior havia apresentado o alvo: chegar à medida da estatura da plenitude de Cristo. Agora Paulo mostra o contraste. De um lado, o menino espiritual. Do outro, o discípulo maduro.
Todos começamos pequenos na fé. No início, precisamos que alguém ore conosco, nos ensine e nos ajude a dar os primeiros passos. O problema não é começar como menino. O problema é permanecer menino quando já deveríamos ter crescido.
Paulo usa uma linguagem semelhante em 1 Coríntios 13:11: “Quando eu era menino, falava como menino, sentia como menino, pensava como menino; quando cheguei a ser homem, desisti das coisas próprias de menino” (ARA).
A infância espiritual aparece na maneira de falar, sentir e pensar. A pessoa imatura tende a trazer tudo para si. Sua principal pergunta é: “O que eu vou receber?” A maturidade começa a produzir outra pergunta: “O que Deus quer fazer através de mim?”
Essa é uma grande transição da vida cristã. Aquele que precisava ser cuidado começa a cuidar. Quem precisava ser ensinado começa a ensinar. Quem era discipulado começa também a discipular.
Tempo de igreja, porém, não produz maturidade automaticamente. Uma pessoa pode estar há muitos anos na igreja e continuar reagindo como no início da fé. Por isso, a pergunta não é apenas há quanto tempo conhecemos Jesus, mas quanto crescemos desde que O conhecemos.
Efésios 4:14 diz que os meninos espirituais são “agitados” e “levados”. Eles ainda não possuem estabilidade. Se o ambiente muda, mudam junto. Se aparece uma nova moda espiritual, correm atrás. Se surge uma nova voz, abandonam rapidamente aquilo em que criam.
Tiago usa imagem semelhante: aquele que duvida é “semelhante à onda do mar, impelida e agitada pelo vento” (Tiago 1:6 — ARA).
Maturidade produz raízes.
Uma fé sem raízes fica vulnerável a toda novidade. Uma pessoa sem convicções bíblicas muda de direção sempre que encontra uma opinião mais atraente. Por isso, maturidade não é rigidez. É estabilidade. Não significa nunca rever uma posição, mas possuir fundamentos firmados na Palavra e discernimento para avaliar aquilo que ouvimos.
Paulo continua dizendo que os meninos podem ser levados “pela artimanha dos homens” e “pela astúcia com que induzem ao erro”. Isso mostra que a infantilidade espiritual não é apenas um problema emocional. É também falta de discernimento.
Hebreus afirma que “o alimento sólido é para os adultos, para aqueles que, pela prática, têm as suas faculdades exercitadas para discernir não somente o bem, mas também o mal” (Hebreus 5:14 — ARA).
Discernimento é resultado de exercício. A pessoa madura não acredita em tudo o que escuta. Não toma decisões apenas porque alguém falou com convicção. Ela conhece a Palavra, examina, compara, ora e aprende a reconhecer aquilo que realmente procede de Deus.
É por isso que discipulado, liderança saudável e comunhão são tão importantes. Correção não é rejeição. Quando feita com amor e verdade, ela é instrumento de maturidade. O objetivo não é apenas apontar o que está errado, mas mostrar o caminho correto.
A maturidade também tem relação profunda com a paternidade, seja na família ou na formação espiritual de outras pessoas. Todo pai um dia foi filho. Houve um tempo em que precisava ser alimentado, protegido e conduzido. Mas chega o momento em que aquilo que recebeu precisa começar a ser transmitido.
Uma das maiores responsabilidades dos pais é oferecer aos filhos uma referência de direção, segurança e coerência. Filhos precisam perceber que a fé professada na igreja também é vivida dentro de casa.
Deuteronômio 6:6-7 diz: “Estas palavras que, hoje, te ordeno estarão no teu coração; tu as inculcarás a teus filhos, e delas falarás assentado em tua casa, e andando pelo caminho, e ao deitar-te, e ao levantar-te.”
Observe a ordem. Primeiro, a Palavra precisa estar no coração dos pais. Depois, ela é ensinada aos filhos.
Não transmitimos apenas aquilo que falamos. Transmitimos aquilo que vivemos.
Por isso, paternidade não é preparar um caminho sem dificuldades para os filhos. É preparar os filhos para o caminho que encontrarão. A vida terá desafios, e pais maduros ajudam os filhos a desenvolver convicções, caráter e discernimento para atravessá-los.
Isso também exige humildade. Pais maduros não são pais perfeitos. São pessoas capazes de reconhecer erros, pedir perdão e corrigir a rota. Às vezes, uma das lições mais poderosas que um filho recebe é ouvir do próprio pai: “Eu errei. Perdoa-me. Vamos fazer diferente.”
A mesma lógica aparece na paternidade espiritual. Paulo escreveu aos coríntios: “ainda que tivésseis milhares de preceptores em Cristo, não teríeis, contudo, muitos pais; pois eu, pelo evangelho, vos gerei em Cristo Jesus” (1 Coríntios 4:15 — ARA).
Paulo investiu sua vida para que Cristo fosse formado naquela igreja. Esse é o coração de quem discipula: acompanhar, ensinar, corrigir, encorajar e guardar o processo de crescimento de alguém.
Mas a maturidade verdadeira não termina em nós.
Paulo orienta Timóteo: “E o que de minha parte ouviste através de muitas testemunhas, isso mesmo transmite a homens fiéis e também idôneos para instruir a outros.” (2 Timóteo 2:2 — ARA).
Paulo, Timóteo, homens fiéis e outros. Quatro gerações espirituais em um único versículo.
O que Deus faz em nós precisa alcançar outras pessoas. Aquele que amadurece começa a formar. Aquele que foi cuidado começa a cuidar. Aquele que recebeu passa a transmitir.
Esse é também o verdadeiro sentido de legado. Podemos deixar patrimônio, conhecimento, oportunidades e recursos para a próxima geração. Tudo isso pode ter valor. Mas o maior legado não é apenas aquilo que deixamos para os filhos. É aquilo que deixamos dentro deles.
Uma fé sincera. Convicções bíblicas. Amor por Deus. Coragem para permanecer firme. Capacidade de discernir. Um caráter que resiste aos ventos.
Efésios 4:14 não foi escrito somente aos pais. Foi escrito à Igreja inteira. Portanto, a pergunta não é apenas: “Que tipo de pai estou sendo?” A pergunta é: “Que tipo de pessoa estou me tornando?”
Ainda existem áreas em que somos facilmente levados? Emoções que governam nossas decisões? Responsabilidades das quais fugimos? Ensinos que aceitamos sem examinar?
Cristo nos chama a crescer. Ele quer formar em nós estabilidade, discernimento e caráter. Quer tirar-nos da dependência infantil e levar-nos a uma maturidade que também abençoa outros.
Que nossa oração seja:
Senhor, forma Cristo em mim. Dá-me discernimento, estabilidade e um caráter firmado na Tua Palavra. Ajuda-me a abandonar aquilo que pertence à meninice espiritual. E não permita que aquilo que começaste em mim termine em mim. Faz da minha vida um legado para a próxima geração.
Porque a maturidade verdadeira não termina em nós. Ela começa a produzir gerações através de nós.
Deus abençoe a sua vida!
Alexandre Paz

