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Quando o pouco nas nossas mãos se torna muito nas mãos de Deus

Baseado na palavra do culto de 07/09/2025

Vivemos em uma cultura que nos convence de que grandes resultados só acontecem quando temos grandes recursos. Muitas pessoas sonham, planejam e desejam avançar, mas acreditam que ainda não têm o suficiente para começar. Porém, a lógica do Reino de Deus opera de forma totalmente diferente: o Senhor não pergunta o que te falta, mas o que já está nas tuas mãos. E é justamente o pouco que você possui que Ele usa como matéria-prima para o milagre.

A multiplicação dos pães é um exemplo surpreendente desse princípio. Jesus vê uma multidão exausta, faminta há três dias, e pergunta aos discípulos: “Quantos pães tendes?” (Marcos 8:5). Havia apenas sete pães — simples, comuns, talvez até endurecidos. Nada impressionante. Mas quando foram colocados nas mãos Jesus, tornaram-se abundância. Todos comeram e ainda sobraram sete cestos cheios (Marcos 8:1-9).

O que é pouco nas nossas mãos se torna ilimitado nas mãos do Senhor Jesus. Esse é um dos fundamentos espirituais mais importantes para a vida de fé: Deus não começa com aquilo que não temos, mas com o que Ele já colocou diante de nós. O mesmo aconteceu com Moisés diante do mar Vermelho. O Senhor lhe perguntou: “O que é isso na tua mão?” (Êxodo 4:2). Era apenas uma vara, mas Deus usou esse objeto simples para abrir o mar e libertar uma nação inteira.

Também foi assim com a viúva atendida por Eliseu. Ela tinha apenas uma botija de azeite, mas quando obedeceu e buscou mais vasilhas, o azeite não parou de jorrar até que todas se encheram (2 Reis 4:3-6). A multiplicação começou com aquilo que ela já possuía. Assim, entendemos que Deus não cria abundância a partir do vazio, mas a partir da entrega.

Essa dinâmica do Reino de Deus se repete na vida de Davi. Ele não venceu Golias com as armas do rei Saul, mas com a funda e as pedras que já sabia usar. Ele declarou:“O Senhor me livrou das garras do leão e das do urso; ele me livrará das mãos deste filisteu” (1 Samuel 17:37). O segredo não era a arma, mas a fé em Deus e a disposição de usar o que tinha em suas mãos.

A verdade é que muitos acreditam que só avançarão quando tiverem mais tempo, mais dinheiro, mais oportunidades. Mas Deus não multiplica o que está retido — Ele multiplica o que é entregue. Jesus só começou o milagre quando recebeu os pães e deu graças (Marcos 8:6). Nada se multiplica enquanto está guardado; apenas quando é repartido.

Esse princípio também se aplica à vida espiritual. Muitos dizem: “Eutenhodez minutos para orar.” Mas quem é fiel no pouco, Deus coloca sobre o muito. A Palavra diz: “Tudo quanto fizerdes, fazei-o de todo o coração, com o para o Senhor e não para homens” (Colossenses 3:23). O problema não é a falta de recursos, mas o coração que se apega ao pouco, com medo de entregá-lo.

Na parábola dos talentos, o servo que enterrou o que recebeu não multiplicou nada (Mateus 25:14-30). O Reino de Deus revela que aquilo que você retém, estagna; aquilo que você entrega, frutifica. Quando Deus encontra um coração ensinável, disposto e humilde, Ele libera Sua graça. O apóstolo Paulo nos lembra: “Deus escolheu as coisas fracas do mundo para envergonhar as fortes” (1 Coríntios 1:27).

É por isso que a multiplicação de Deus nunca é apenas provisão — é propósito. No primeiro milagre dos pães, sobraram doze cestos, apontando para Israel. No segundo, sobraram sete cestos, número da plenitude, revelando que o Pão de Cristo é para todas as nações. Ele é o pão universal — aquele que se entrega, reparte e se multiplica.

Contudo, após o milagre, os discípulos entraram no barco e, esquecendo-se do que haviam há pouco presenciado, preocuparam-se novamente com o que iriam comer. Jesus os advertiu sobre o fermento da incredulidade, e perguntou: “Ainda não considerastes? Tendes o coração endurecido?” (Marcos 8:17-18). O problema não era a falta de pão, mas a falta de memória espiritual. Eles tinham visto o milagre, mas ainda temiam a escassez.

O coração endurecido não é apenas o coração rebelde, mas também o que esquece o que Deus já fez. E quando esquecemos, passamos a olhar para a vida a partir da falta, e

não da fé. Porém, se Ele multiplicou antes, multiplicará outra vez. Se Ele sustentou ontem, sustentará hoje. O perigo não é não ter pão no barco; é não reconhecer que o Pão da Vida está dentro dele.

A multiplicação começa com a entrega: entregar o pouco, entregar o tempo, entregar a fé, entregar os dons. Quando você agradece pelo que tem — ainda que pareça pequeno

— algo poderoso começa. O pão que se parte, multiplica. O que se guarda, apodrece. O propósito de Deus é conduzir você não apenas à sobrevivência, mas à abundância: “A bênção do Senhor enriquece, e com ela não traz desgosto” (Provérbios 10:22).

Que esta palavra reacenda sua fé: Deus já colocou algo em suas mãos. Talvez não seja muito, mas é o suficiente para Ele realizar o impossível. Entregue, confie, agradeça e obedeça. O milagre começa aí, e nas mãos d’Ele, o pouco se torna muito.

Deus abençoe a sua vida!

Alexandre Paz