Baseado na palavra do culto de 30/11/2025.
Há momentos na vida em que nos sentimos como árvores que precisam enfrentar fortes ventos, expostas a mudanças de estações. Algumas não subsistem; outras resistem, mas produzem pouco; mas há também as que florescem e frutificam com abundância. A diferença não está no vento, mas na profundidade da raiz. Assim também é a vida espiritual: as circunstâncias variam, mas quem está verdadeiramente enraizado no Senhor permanece firme e produz fruto no tempo certo.
Jesus deixa isso claro em João 15. Ele afirma:
“Não fostes vós que me escolhestes a mim; pelo contrário, eu vos escolhi a vós outros e vos designei para que vades e deis fruto, e o vosso fruto permaneça” João 15:16.
Ele nos escolheu primeiro. A escolha sempre vem acompanhada de um propósito: gerar fruto que não se perde, fruto que permanece para a glória de Deus.
Contudo, muitos aceitam o chamado, mas não o propósito do chamado. Querem a salvação, mas não a missão. Querem estar na igreja, mas sem enraizar a vida nas alianças que o Reino estabelece: aliança com Deus, com a família, com a igreja e com o chamado ministerial. Sem raiz profunda, qualquer vento arranca, qualquer estação desestabiliza, qualquer conflito paralisa. Por isso o salmista afirma:
“O justo florescerá como a palmeira; crescerá como o cedro do Líbano. Plantados na Casa do Senhor, florescerão nos átrios do nosso Deus” Salmos 92:12–13.
O segredo não é visitar a Casa de Deus — é estar plantado nela.
A primeira aliança — e a mais importante — é com o próprio Senhor. Jesus diz: “Permanecei em mim, e eu permanecerei em vós” (João 15:4). Essa permanência exige vida íntegra, santidade, obediência e constância. Não é possível estar firmado em Deus hoje e amanhã envolver-se em práticas que rompem essa mesma aliança. A vida espiritual não é sazonal; é compromisso contínuo. E quando permanecemos, recebemos graça, direção, força e autoridade para viver tudo o que Ele planejou.
Outra aliança essencial é com as pessoas, começando dentro de casa. No casamento, por exemplo, muitos desistem cedo porque confundem dificuldades com incompatibilidade. Mas o casamento é uma aliança espiritual antes de ser emocional. Jesus ensina: “O que Deus ajuntou não o separe o homem” (Mateus 19:6). O fruto fiel aparece quando o casal decide permanecer, crescer, ajustar e amadurecer, mesmo quando as diferenças gritam mais alto que as emoções. Não existe casamento perfeito, mas existe casamento frutífero, sustentado pela perseverança e pela graça.
Também faz parte da vida cristã a aliança com a liderança e com a igreja. Hebreus nos lembra a importância da obediência e da submissão espiritual, não como controle, mas como proteção:
“Obedecei aos vossos guias e sede submissos para com eles; pois velam por vossa alma, como quem deve prestar contas, para que façam isto com alegria e não gemendo; porque isto não aproveita a vós outros.” Hebreus 13:17
Quem vive guiado por emoções oscila; quem vive guiado por propósito permanece. Pessoas de aliança não desaparecem na primeira discussão, não trocam facilmente de relacionamentos e não abandonam responsabilidades por conveniência. Elas permanecem, resolvem, restauram e constroem. Isso é maturidade, e maturidade gera fruto.
Há ainda a aliança ministerial. Deus nos chamou não apenas para crer, mas para servir. Paulo nos encoraja:
“Sede firmes, inabaláveis e sempre abundantes na obra do Senhor, sabendo que,no Senhor, o vosso trabalho não é vão” (1Coríntios 15:58).
Servir quando tudo está favorável é entusiasmo; servir quando há desafios é fidelidade. O fruto fiel nasce exatamente desse lugar: constância quando ninguém está vendo, perseverança quando ninguém está aplaudindo, compromisso quando ninguém está incentivando. É assim que o caráter de Cristo é formado em nós.
O inimigo sabe que uma vida enraizada é uma vida frutífera. Por isso sua estratégia é sempre a mesma: ferir alianças. Ele tenta romper a aliança com Deus através do pecado, romper a aliança com pessoas através de conflitos e romper a aliança ministerial através de ofensas. Quantas pessoas foram paralisadas por mágoas pequenas, mal-entendidos ou expectativas frustradas? Onde não há raiz, não há resistência. Mas onde as raízes são profundas, até os ventos mais fortes se tornam oportunidades de fortalecimento.
O FRUTO FIEL está ligado à nossa identidade em Cristo, ao nosso caráter e ao propósito que carregamos. Identidade é quem somos em Deus; caráter é como vivemos diante das pessoas; propósito é o que construímos com o Senhor. Quando permanecemos nessas três dimensões, deixamos de viver apenas ciclos e passamos a gerar legado. Legado não é o que fazemos por nós mesmos — é o que construímos em Deus, para Deus e para as pessoas.
No fim, apresentar ao Senhor um FRUTO FIEL é apresentar vidas transformadas, relacionamentos restaurados, caráter moldado e uma história marcada pela permanência. Não é apenas um ato simbólico da igreja, mas a expressão de tudo o que o Espírito Santo construiu em nós ao longo de uma jornada de alianças, renúncia, perseverança e graça.
Que cada célula, cada casa e cada família entenda que o FRUTO FIEL não é resultado de momentos, mas de raízes profundas. Não é resultado de intensidade emocional, mas de constância espiritual. Que o Senhor nos encontre plantados, permanecendo nEle e produzindo fruto abundante — fruto que permanece.
Deus abençoe a sua vida!
Alexandre Paz

