Baseado na palavra do culto de 28/09/2025.
Há palavras que aquecem o coração, encorajam a fé e nos impulsionam a sonhar com aquilo que Deus ainda fará. Mas há momentos em que o Espírito Santo nos conduz a uma palavra de advertência, não para condenar, e sim para alinhar, proteger e restaurar. A mensagem de hoje nos chama a um tempo sério de discernimento espiritual, arrependimento genuíno e compromisso renovado com a santidade, entendendo que o Senhor zela pelo Seu Corpo, que é a Igreja.
Desde o Antigo Testamento, Deus revelou ao Seu povo princípios espirituais eternos que atravessam gerações e permanecem válidos em todo tempo. Um desses princípios é que a aproximação da Presença de Deus sempre exigiu consagração, reverência e alinhamento do coração. Ao longo da história bíblica, o Senhor estabeleceu formas claras de ensinar o Seu povo sobre arrependimento, purificação e restauração, apontando para a necessidade de um relacionamento santo e responsável com Ele.
Esses ensinos encontraram seu pleno cumprimento em Cristo, nosso Sumo Sacerdote perfeito, que ofereceu a Si mesmo como sacrifício definitivo. Nele, compreendemos que o chamado à santidade não está preso a datas ou celebrações específicas, mas faz parte da vida diária daqueles que pertencem a Deus. A obra da cruz nos convida continuamente a viver em arrependimento, discernimento espiritual e compromisso com a verdade, entendendo que fomos chamados para ser um povo separado e alinhado com o coração do Senhor.
Esse contexto revela uma verdade que atravessa toda a Escritura: a Presença de Deus é santa, e a aproximação dEle exige arrependimento e temor. Por isso, a Palavra nos chama a um autoexame profundo. O autor de Hebreus afirma que o arrependimento de obras mortas é um dos fundamentos da fé cristã:
“Por isso, pondo de parte os princípios elementares da doutrina de Cristo, deixemo- nos levar para o que é perfeito, não lançando, de novo, a base do arrependimento de obras mortas e da fé em Deus, o ensino de batismos e da imposição de mãos, da ressurreição dos mortos e do juízo eterno.” Hebreus 6:1-2
Não se trata de algo opcional ou secundário, mas de um princípio básico para quem deseja caminhar com Deus. Onde não há arrependimento, permanece o juízo; onde há arrependimento sincero, há restauração e vida.
O apóstolo Paulo tratou dessa realidade de forma muito direta ao escrever à Igreja de Corinto. Ao falar sobre a ceia do Senhor, ele advertiu:
“Examine-se, pois, o homem a si mesmo, e, assim, coma do pão e beba do cálice; pois quem come e bebe sem discernir o corpo, come e bebe juízo para si” 1 Coríntios 11:28-29.
Paulo ainda explicou que, por causa dessa falta de discernimento, havia entre eles muitos fracos, doentes e até pessoas que estavam morrendo precocemente (1Co 11:30). Isso revela que Deus não trata o pecado com leveza, especialmente quando ele é tolerado dentro do Corpo de Cristo.
Discernir o Corpo não se limita a reconhecer o pão e o cálice como símbolos do corpo e do sangue de Jesus. Envolve também discernir que a Igreja é um só Corpo, e que o pecado individual nunca é apenas individual. Assim como uma célula cancerígena compromete todo o organismo se não for tratada, o pecado tolerado se espalha, enfraquece e adoece a Igreja. Ignorar essa realidade é um engano perigoso, pois o que começa no secreto alcança a família, a célula e, inevitavelmente, toda a comunidade.
Foi exatamente esse o problema enfrentado pela Igreja de Corinto. Havia entre eles um pecado grave de imoralidade que estava sendo tratado com soberba e tolerância. Paulo os confrontou dizendo:
“Não é boa a vossa jactância. Não sabeis que um pouco de fermento leveda toda a massa?” 1 Coríntios 5:6
O fermento, nas Escrituras, representa aquilo que contamina e altera a natureza daquilo que deveria ser puro. Por isso, o Apóstolo ordenou: “Lançai fora o velho fermento, para que sejais nova massa, como sois, de fato, sem fermento. Pois também Cristo, nosso Cordeiro pascal, foi imolado” (1Co 5:7).
A tentativa de conviver pacificamente com o pecado nunca produziu bons frutos. Ainda que, humanamente, pareça mais fácil evitar o confronto, a Palavra deixa claro que o amor verdadeiro confronta para restaurar. Tolerar o pecado por conveniência, medo ou favoritismo coloca todo o Corpo em risco e compromete a manifestação da Presença de Deus.
Esse princípio também aparece de forma clara na história de Israel, em Josuécapítulo7. Após uma vitória sobrenatural em Jericó, o povo foi derrotado numa cidade muito menor chamada Ai. A razão não estava na estratégia militar, mas no pecado oculto de um único homem, Acã, que desobedeceu às ordens do Senhor. Deus declarou:
“Israel pecou, e violaram a minha aliança, aquilo que eu lhes ordenara, pois tomaram das coisas condenadas, e furtaram, e dissimularam, e até debaixo da sua bagagem o puseram. Pelo que os filhos de Israel não puderam resistir aos seus inimigos; viraram as costas diante deles, porquanto Israel se fizera condenado; já não serei convosco, se não eliminardes do vosso meio a coisa roubada.” Josué 7:11-12
O pecado de um trouxe derrota para todos. Somente quando o povo se santificou e o pecado foi tratado, a vitória voltou a se manifestar.
O Novo Testamento confirma esse mesmo padrão ao ensinar como lidar com alguém que persiste no pecado. Jesus orientou em Mateus 18 que o confronto deve ser progressivo, começando no particular, avançando com testemunhas e, se necessário, sendo levado à igreja. O objetivo nunca é a exposição ou a condenação, mas a restauração. Paulo reafirma isso ao instruir que, em casos extremos, a disciplina é necessária “para destruição da carne, a fim de que o espírito seja salvo no dia do Senhor” (1Co 5:5). Trata-se de um ato de amor, não de rejeição.
A santidade, portanto, não é um peso, mas uma proteção. Provérbios nos ensina: “O que encobre as suas transgressões jamais prosperará, mas o que as confessa e deixa alcançará misericórdia” (Pv 28:13). Arrependimento verdadeiro não é apenas sentir tristeza pelo erro, mas decidir abandoná-lo e mudar de direção. Quando a igreja vive assim, preserva a presença do Espírito Santo e experimenta as maravilhas de Deus.
O chamado permanece atual: “Santificai-vos, porque amanhã o Senhor fará maravilhasnomeiodevós”(Js3:5). As maravilhas vêm depois da santidade. Que cada um examine o próprio coração, discirna o Corpo e responda com arrependimento e obediência, para que o Corpo de Cristo permaneça saudável, forte e cheio da glória de Deus.
Deus abençoe a sua vida! Alexandre Paz

