Baseado na palavra do culto de 21/06/2026.
Vivemos em uma geração que busca desesperadamente identidade. As pessoas desejam pertencer, ser reconhecidas e fazer parte de algo significativo. Por isso, muitos constroem sua identidade sobre aquilo que fazem, sobre os grupos aos quais pertencem, sobre suas opiniões, posições ou conquistas. Entretanto, a grande pergunta que as Escrituras nos fazem é: quem realmente define quem somos?
Ao escrever sua primeira carta aos coríntios, o apóstolo Paulo se dirigiu a uma igreja que possuía muitos recursos espirituais. Era uma comunidade rica em dons, ativa em suas reuniões e influente dentro de uma das cidades mais importantes do mundo antigo. Porém, apesar de todas essas qualidades, havia uma enfermidade crescendo em seu interior. A Igreja estava perdendo sua referência principal.
Paulo escreve:
“Rogo-vos, irmãos, pelo nome de nosso Senhor Jesus Cristo, que faleis todos a mesma coisa e que não haja entre vós divisões; antes, sejais inteiramente unidos, na mesma disposição mental e no mesmo parecer” (1 Coríntios 1:10 — ARA).
O problema não era a falta de dons, de líderes ou de estrutura. O problema era que Cristo já não ocupava o centro da identidade daquela comunidade. Alguns diziam ser de Paulo, outros de Apolo, outros de Cefas. Em vez de encontrarem sua identidade em Cristo, começaram a encontrá-la em homens, grupos e preferências.
Diante disso, Paulo faz uma pergunta que atravessa os séculos e continua ecoando para a Igreja de hoje:
“Acaso Cristo está dividido?” (1 Coríntios 1:13 — ARA).
Sempre que alguma coisa ocupa o lugar que pertence a Cristo, as divisões começam a surgir. Quando opiniões se tornam mais importantes do que pessoas, a unidade é comprometida. Quando preferências se tornam mais importantes do que alianças, os relacionamentos se enfraquecem. Quando o desejo de estar certo se torna maior do que o compromisso com a missão, o propósito de Deus perde espaço.
O ser humano foi criado para pertencer. O problema não está em fazer parte de uma igreja, de um ministério ou de uma visão. O problema surge quando essas coisas passam a definir quem somos. Tudo aquilo que não foi criado para sustentar nossa identidade acabará nos decepcionando. Uma profissão pode mudar. Um cargo pode terminar. Uma posição pode ser perdida. Mas Cristo permanece para sempre.
Por isso, Paulo não apresenta uma solução organizacional para a crise de Corinto. Ele aponta para a cruz.
“Porque não me enviou Cristo para batizar, mas para pregar o evangelho; não com sabedoria de palavra, para que se não anule a cruz de Cristo” (1 Coríntios 1:17 — ARA).
A cruz é a resposta de Deus para o orgulho humano. Ela confronta a autossuficiência, derruba o ego e nos lembra que todos dependemos da mesma graça. Na cruz não existem celebridades. Não existem posições privilegiadas. Não existem méritos pessoais. Todos precisam do mesmo Salvador.
Por isso Paulo declara:
“Certamente, a palavra da cruz é loucura para os que se perdem, mas, para nós, que somos salvos, poder de Deus” (1 Coríntios 1:18 — ARA).
A lógica do mundo valoriza prestígio, reconhecimento e promoção pessoal. A lógica do Reino aponta para a cruz. E a cruz não promove o ego; ela o crucifica.
Talvez seja por isso que exista tanta resistência ao verdadeiro evangelho. Todos desejam a ressurreição, mas poucos desejam a cruz. Todos querem os frutos, mas poucos aceitam morrer para si mesmos. Todos desejam a glória, mas poucos estão dispostos a passar pelo processo.
Jesus ensinou isso quando disse:
“Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, tome a sua cruz e siga-me” (Mateus 16:24 — ARA).
O chamado de Cristo nunca foi apenas para receber bênçãos. Foi também para viver uma vida de rendição. A cruz nos conduz de volta à dependência de Deus. Ela nos lembra que tudo o que somos e possuímos procede da Sua graça.
Uma das maiores revelações deste texto é que toda crise de identidade produz divisão, mas toda verdadeira experiência com a cruz produz unidade. Quando Cristo deixa de ser o centro, surgem partidos, disputas e comparações. Quando Cristo volta a ocupar o centro, a unidade é restaurada.
Paulo encerra essa parte da carta declarando:
“Aquele que se gloria, glorie-se no Senhor” (1 Coríntios 1:31 — ARA).
Toda identidade saudável nasce desse lugar. Não somos definidos por cargos, títulos, opiniões ou posições. Somos definidos por Cristo.
Isso não significa que todos pensem exatamente da mesma forma. Os discípulos de Jesus possuíam personalidades diferentes, histórias diferentes e perspectivas diferentes. O que os mantinha unidos não era a uniformidade, mas uma identidade comum.
Foi exatamente isso que Jesus pediu ao Pai:
“Não rogo somente por estes, mas também por aqueles que vierem a crer em mim, por intermédio da sua palavra; a fim de que todos sejam um” (João 17:20-21 — ARA).
A unidade não nasce da concordância absoluta. Ela nasce do reconhecimento de que pertencemos ao mesmo Senhor.
Por isso, a mensagem de Paulo continua extremamente atual. Sempre que esquecemos quem somos em Cristo, começamos a procurar identidade em outros lugares. E sempre que fazemos isso, corremos o risco de substituir a cruz pelo ego, a missão pelas preferências e a unidade pelas divisões.
A cruz continua nos chamando de volta. De volta à simplicidade do evangelho. De volta à dependência de Deus. De volta à unidade. De volta à verdadeira identidade.
A igreja permanece saudável quando Cristo é mais importante do que os homens, quando a missão é maior do que as opiniões e quando a aliança é maior do que as preferências pessoais.
A pergunta feita por Paulo continua diante de nós:
“Acaso Cristo está dividido?”
A resposta permanece a mesma.
Cristo não está dividido.
Por isso, Seu povo é chamado a viver em unidade, firmando sua identidade nEle e permanecendo aos pés da cruz, onde todo orgulho é vencido e toda glória pertence exclusivamente ao Senhor.
Deus abençoe a sua vida!
Alexandre Paz

