Série: A Igreja de Apocalipse que Jesus vem buscar – PARTE 1
Baseado na palavra do culto de 18/01/2026.
Quando abrimos o livro de Apocalipse, muitos imediatamente pensam em juízos, selos, trombetas e cenários escatológicos. Porém, o próprio texto começa declarando:
“Revelação de Jesus Cristo, que Deus lhe deu para mostrar aos seus servos…” (Apocalipse 1:1).
Antes de ser um livro sobre acontecimentos futuros, Apocalipse é a revelação do Cristo ressurreto. E é importante perceber que Jesus não inicia tratando do mundo, mas da Igreja.
Nos capítulos 1 a 3, o foco está na Igreja na terra. Somente a partir do capítulo 4 a narrativa assume uma dimensão celestial. Isso revela uma prioridade: antes de falar do que virá sobre a terra, Cristo trata do que está acontecendo no meio do Seu povo. O maior interesse de Jesus não é apenas o destino da história, mas o estado do coração da Igreja.
João relata:
“Voltei-me para ver quem falava comigo e, voltado, vi sete candeeiros de ouro e, no meio dos candeeiros, um semelhante a filho de homem…” (Apocalipse 1:12–13).
Jesus está no meio dos candeeiros. O próprio texto explica:
“os sete candeeiros são as sete igrejas” (Apocalipse 1:20).
Ele não observa de longe. Ele anda no meio.
O contexto desta expressão nos ensina algo profundo: o movimento de Jesus não significa aprovação. Atividade não substitui alinhamento. Aparência não engana Jesus. Ele discerne motivações, intenções e valores do coração. Ele não avalia apenas estrutura, agenda ou crescimento numérico. Ele observa se há verdade, fidelidade, dependência e obediência no interior.
Ao escrever as sete igrejas — Éfeso, Esmirna, Pérgamo, Tiatira, Sardes, Filadélfia e Laodiceia (Apocalipse 1:11 ) — Jesus não estava apenas tratando de comunidades locais do primeiro século. Ele estava estabelecendo padrões espirituais para a Igreja de todos os tempos. Cada carta se torna um espelho.
Em todas elas há um padrão: Ele reconhece o que está certo, confronta o que está desalinhado e chama ao arrependimento e à maturidade. Correção não é rejeição; correção é cuidado. O confronto revela zelo. Ele corrige porque ama e prepara a Igreja para encontrá-Lo.
“Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas” (Apocalipse 2:7).
A voz que deve governar a Igreja não é a da cultura, nem a da conveniência, mas a do Espírito.
É aqui que entendemos a diferença essencial entre princípios e valores. Princípios são verdades eternas do Reino. Eles não mudam com o tempo, cultura ou opinião. Assim como a lei da gravidade não depende da sua crença para existir, os princípios espirituais continuam operando independentemente da aceitação humana.
Verdade, fidelidade, obediência, santidade, amor, dependência de Deus — tudo isso são princípios. Jesus declarou:
“porque sem mim nada podeis fazer” (João 15:5).
Esse é um princípio eterno. Entretanto, conhecer um princípio não significa que ele se tornou valor.
Valores são princípios internalizados que passam a governar decisões e atitudes. Um princípio pode ser verdadeiro… mas ainda não ser um valor na sua vida. Você pode crer na fidelidade e não viver fielmente. Pode crer na verdade e relativizá-la quando convém. Pode crer na dependência de Deus e viver na autossuficiência.
Por isso está escrito:
“Filho meu, dá-me o teu coração” (Provérbios 23:26).
Deus não quer apenas informação na mente; Ele quer valores formados no coração. Jesus também advertiu:
“Tornai-vos, pois, praticantes da palavra e não somente ouvintes” (Tiago 1:22).
O Reino não é sustentado por teoria, mas por prática.
O discipulado, por exemplo, é um princípio estabelecido por Cristo. Mas, se não se torna valor, qualquer confronto gera resistência. Quem ama corrige. A correção forma caráter. A ausência de valor gera instabilidade espiritual.
Ao longo das cartas do Apocalipse, repetidamente aparece a expressão “ao vencedor”. Isso revela que a vida cristã não é passiva. Há uma chamada à perseverança, à fidelidade e ao alinhamento. Jesus também declarou:
“Mas a respeito daquele dia e hora ninguém sabe…” (Mateus 24:36).
Antes de especular datas, a Igreja precisa estar preparada.
O maior perigo não é perseguição externa, mas desalinhamento interno. Uma igreja pode manter atividades e ainda assim perder valores. Pode conservar estrutura e perder o primeiro amor. Pode ter reputação de viva e estar espiritualmente enfraquecida. Por isso, esta série que iniciamos hoje não é para acusar, rotular ou comparar igrejas. É para alinhar o coração e formar valores.
A pergunta não é: “Qual igreja nós somos?”. A pergunta é: quais princípios do Reino ainda não se tornaram valores na minha vida? Onde conheço a verdade, mas ainda não a pratico? Onde sei o que é correto, mas ainda negocio?
Jesus começa o Apocalipse nos lembrando que Ele está no meio. Ele é o Alfa e o Ômega, aquele que esteve morto e está vivo pelos séculos dos séculos (Apocalipse 1:17–18). A Igreja não está abandonada; está sob a autoridade daquele que venceu.
Se cremos que Ele voltará para buscar Sua igreja, então precisamos viver como noiva preparada. Não é uma preparação emocional, mas espiritual. Não baseada em discurso, mas em valores consolidados.
Os Princípios do Reino já existem. A questão é se eles governam nossa vida. Que esta série nos conduza a transformar verdades conhecidas em valores vividos, para que a Igreja reflita o coração de Cristo no tempo presente, madura, alinhada e pronta para o encontro com o Noivo.
Deus abençoe a sua vida!
Alexandre Paz

