Série: A Identidade de um Homem Próspero – PARTE 6
Baseado na palavra do culto de 18/01/2026.
Existe algo que precisa ser estabelecido de forma definitiva no nosso coração: Deus está formando em nós a identidade de um homem próspero. Mas essa prosperidade, segundo o Reino, não é uma conquista pessoal nem um acúmulo de bens; ela é a expressão visível do governo de Deus na terra. Prosperidade bíblica é quando o céu pode confiar recursos a alguém que vive para o Reino.
Jesus encerra Seus ensinamentos escatológicos com uma parábola que confronta nossa mentalidade. No Evangelho de Mateus 25:14–30, Ele fala de um homem que, ausentando-se do país, chamou os seus servos e lhes confiou os seus bens.
“A um deu cinco talentos, a outro dois e a outro um, a cada um segundo a sua própria capacidade; e então partiu” (Mt 25:15).
O texto é claro: não trata de estranhos, mas de servos da casa. Não trata apenas de dinheiro, mas de responsabilidade. E não trata apenas de presente, mas de prestação de contas futura.
Essa parábola é escatológica. O Senhor que se ausenta representa o próprio Cristo, que confiou o Reino aos Seus e voltará para ajustar contas. Portanto, o centro da mensagem não é habilidade natural, mas mordomia do Reino. Os talentos representam dons, recursos, oportunidades, influência, tempo, responsabilidades espirituais e naturais. Tudo o que temos veio de Deus. E tudo o que recebemos tem propósito.
Dois servos entenderam isso. O que recebeu cinco talentos saiu imediatamente a negociar e ganhou outros cinco. O que recebeu dois fez o mesmo. A prosperidade do Reino começa com movimento. Receber é apenas o começo; frutificar é a expectativa. Quem não se move, não frutifica. E quem não frutifica não expressa o Reino.
O terceiro servo, porém, “abriu uma cova e escondeu o dinheiro do seu senhor” (Mt 25:18). Ele não roubou, não perdeu, não desperdiçou. Apenas enterrou. Quando o senhorvoltou, ele disse: “Tive medo e escondi na terra o teu talento” (Mt 25:25).
O problema não foi um pecado de ação, mas de omissão. No Reino, improdutividade é infidelidade. Enterrar o que Deus confiou é rejeitar o propósito.
O medo foi o argumento daquele servo. E o medo continua sendo um dos maiores inimigos da prosperidade no Reino. Ele paralisa, gera justificativas, alimenta vitimismo e impede a fé de se manifestar em atitudes. Mas a Palavra nos lembra:
“Não te mandei eu? Sê forte e corajoso; não temas, nem te espantes, porque o Senhor, teu Deus, é contigo por onde quer que andares” Josué 1:9.
Coragem não é ausência de medo, é decisão de obedecer a pesar dele.
Há algo libertador no texto: Deus não compara resultados, mas espera fruto proporcional. Ao servo dos cinco e ao servo dos dois talentos, o senhor declarou a mesma frase:
“Muito bem, servo bom e fiel; foste fiel no pouco, sobre o muito te colocarei; entra no gozo do teu senhor” (Mt 25:21,23).
O elogio foi o mesmo. A recompensa foi a mesma. O que Deus avalia é fidelidade, não volume. Prosperidade no Reino não é competição, é frutificação. É responder com responsabilidade ao que foi confiado. Por isso Jesus afirmou em
João 15:16: “Não fostes vós que me escolhestes a mim; pelo contrário, eu vos escolhi a vós outros e vos designei para que vades e deis fruto, e o vosso fruto permaneça.”
Fomos escolhidos para produzir fruto que permaneça, não para viver uma fé estéril.
Outro princípio inegociável aparece na resposta do senhor: “Foste fiel no pouco, sobreo muito te colocarei.” No Reino, fidelidade gera expansão. Produtividade gera promoção. Frutificação gera autoridade. Mas promoção, no Reino, não é status; é aumento de responsabilidade. Prosperar não é fazer menos, é carregar mais para a glória de Deus.
O texto também traz uma advertência séria:
“Tirai-lhe, pois, o talento e dai-o ao que tem os dez talentos. Porque a todo o que tem se lhe dará, e terá em abundância; mas ao que não tem, até o que tem lhe será tirado”(Mt 25:28–29).
Deus não desperdiça recursos do Reino. Quem frutifica demonstra maturidade; quem não frutifica revela rejeição ao propósito. O Reino se move por multiplicação.A mentalidade do homem espiritualmente pobre acredita que tudo é para si mesmo. Já o homem próspero entende que tudo é meio, não fim. A unção, por exemplo, nunca foi para autopromoção.
“O Espírito do Senhor Deus está sobre mim, porque o Senhor me ungiu para pregar boas-novas aos quebrantados…” Isaías 61:1.
O Espírito vem com propósito.
“Mas recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo, esereis minhas testemunhas…” Atos 1:8.
Poder é meio; testemunho é destino. A prosperidade bíblica começa na alma.
“Amado, acima de tudo, faço votos por tua prosperidade e saúde, assim como é próspera a tua alma” 3 João 2.
Quando a alma é alinhada ao Reino, o natural responde. Não se trata de viver dependente de milagres para corrigir desordens constantes, mas de viver por princípios.
“A quem muito foi dado, muito lhe será exigido” (Lc 12:48).
Milagre não substitui responsabilidade; milagre amplia a prestação de contas.
O servo fiel saiu imediatamente. Ele não esperou condições perfeitas. Ele entendeu que aquilo que recebeu tinha destino eterno. Essa é a identidade do homem próspero: alguém que reconhece que nada é para si, mas tudo vem dEle, é por Ele e é para Ele.
Hoje somos chamados a examinar o coração. O que Deus colocou em nossas mãos? Família, ministério, profissão, recursos, influência? Nada disso é acaso. Tudo é Reino. Tudo será avaliado. Prosperidade não é status; é missão. Não é acumular; é multiplicar.
Que a nossa oração seja sincera: Senhor, não queremos enterrar talentos. Não queremos viver uma fé improdutiva. Ensina-nos a frutificar. Que a nossa prosperidade glorifique o Teu Reino. Lembre-se: a verdadeira prosperidade é quando o céu confia recursos a alguém que vive para o Reino.
Deus abençoe a sua vida.
Alexandre Paz

