Série: A Identidade de um Homem Próspero – PARTE 5
Baseado no culto do dia 11/01/2026
A série sobre a identidade do homem próspero não trata de patrimônio, saldo bancário ou status financeiro. A prosperidade bíblica começa no interior e não do lado de fora. Ela é crescimento, avanço, desenvolvimento segundo Deus, mesmo quando as circunstâncias não são favoráveis. José é um exemplo claro disso. Ele não tinha riqueza, não tinha segurança humana, mas as Escrituras afirmam que o Senhor o fazia prosperar. A prosperidade estava dentro dele, e onde colocava a mão havia avanço.
Entretanto, ao falar de prosperidade, é inevitável confrontar uma distorção perigosa: a diferença entre prosperidade e ganância. O apóstolo Paulo escreve a Timóteo e faz um alerta sério:
“Se alguém ensina outra doutrina e não concorda com as sãs palavras de nosso Senhor Jesus Cristo e com o ensino segundo a piedade, é enfatuado, nada entende, mas tem mania por questões e contendas de palavras, de que nascem inveja, provocação, difamações, suspeitas malignas, altercações sem fim, por homens cuja mente é pervertida e privados da verdade, supondo que a piedade é fonte de lucro.” (1 Timóteo 6:3–5)
Em seguida ele declara:
“De fato, grande fonte de lucro é a piedade com o contentamento.” (1 Timóteo 6:6)
O problema não é prosperar. O problema é a motivação. Prosperar com Deus é bíblico; prosperar usando Deus é perversão. Quando Deus deixa de ser o fim e passa a ser o meio, a fé já se corrompeu.
Muitos pensam que esse texto fala apenas de líderes corruptos. Mas nenhum ensino distorcido prospera se não houver corações dispostos a aceitá-lo. Existe fé mercantil quando alguém quer vender e quando alguém quer comprar. Jesus confrontou essa mentalidade quando disse:
“Respondeu-lhes Jesus: Em verdade, em verdade vos digo: vós me procurais, não porque vistes sinais, mas porque comestes dos pães e vos fartastes.” (João 6:26)
Eles buscavam o pão, não o Senhor. E esse é o risco da fé utilitária: orar para ganhar, jejuar para receber, ofertar para negociar, servir esperando retorno. Jesus ensinou:
“Porque, onde está o teu tesouro, aí estará também o teu coração.” (Mateus 6:21)
O tesouro revela o centro. E o centro revela quem governa. Se o ganho se torna o centro, Deus vira ferramenta. Mas Deus nunca será instrumento. Ele é o Senhor.
Paulo aprofunda o alerta:
“Ora, os que querem ficar ricos caem em tentação e cilada e em muitas concupiscências insensatas e perniciosas, as quais afogam os homens na ruína e perdição. Porque o amor do dinheiro é raiz de todos os males; e alguns, nessa cobiça, se desviaram da fé e a si mesmos se atormentaram com muitas dores.” (1 Timóteo 6:9–10)
A Escritura não condena possuir recursos, mas condena o amor ao dinheiro. O problema não é o que você tem; é o que te move. Quando o desejo de enriquecer domina o coração, a pessoa entra em ciladas, perde a paz, perde a sensibilidade espiritual e, muitas vezes, se desvia silenciosamente da fé.
A Bíblia chama isso de idolatria:
“Fazei, pois, morrer a vossa natureza terrena: prostituição, impureza, paixão lasciva, desejo maligno e a avareza, que é idolatria.” (Colossenses 3:5)
A idolatria não começa com uma estátua; começa com um tesouro. Tudo o que ocupa o centro antes de Deus se torna um ídolo.
Por isso Paulo apresenta, nas entrelinhas, o antídoto para o coração: o contentamento. Isto porque a ganância é um descontentamento do que já se tem, e uma necessidade de sempre possuir mais.
“Digo isto, não por causa da pobreza, porque aprendi a viver contente em toda e qualquer situação.” (Filipenses 4:11)
Compreendemos, segundo a hermenêutica, o ensino que Paulo queria trazer para seu discípulo Timóteo. Contentamento não é estagnação. É liberdade interior. É maturidade. É aprender a caminhar com Deus sem estar escravizado por expectativas e ansiedade. Um coração descontente nunca desfruta o que já recebeu. Vive buscando o próximo nível, mas nunca celebra o presente. E o descontentamento gera murmuração. A murmuração não é a raiz; é o fruto de um coração insatisfeito.
Quando o povo murmurou no deserto, andou em círculos. O deserto não é lugar de prosperidade. O descontentamento rouba o lucro da vida. Por isso Paulo não disse apenas que a piedade é fonte de lucro, mas que a piedade com contentamento é grande fonte de lucro.
Você pode orar por uma condição melhor, por crescimento, por expansão. Isso não é pecado. O problema é quando as coisas se tornam o centro e Deus vira apenas o discurso. Jesus deixou claro o princípio que reorganiza o coração:
“Buscai, pois, em primeiro lugar, o seu reino e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas.” (Mateus 6:33)
Primeiro o Reino. O resto é acrescentado. Quando Deus é o fim, a prosperidade é consequência. Quando Deus é meio, a fé vira comércio.
A prosperidade bíblica é possível. Deus abençoa, abre portas, gera avanço. Mas Ele pesa as motivações. Ele olha o altar do coração. E o altar verdadeiro não é um móvel; é o interior do homem. É ali que as intenções queimam.
A identidade do homem próspero não é definida pelo quanto ele possui, mas por quem governa o seu coração. Quem é contente não se vende. Quem é contente não negocia princípios. Quem é contente prospera sem se perder.
Hoje o chamado é para alinhamento, para purificar motivações. É para reconhecer que o problema nunca foi prosperar, mas perder o coração no processo. Deus não é meio. Deus é fim. Quando Ele é o centro, tudo encontra ordem. Quando Ele é prioridade, o restante se encaixa.
A verdadeira prosperidade é andar com Deus de forma pura, ter o coração guardado, viver contente, trabalhar com fidelidade, administrar com sabedoria e confiar que o Senhor acrescenta o que for necessário no tempo certo.
Deus abençoe a sua vida!
Alexandre Paz

