Série: A Identidade do Homem Próspero – Parte 4
Há pessoas que entram em um ambiente simples e, em pouco tempo, tudo começa a florescer. Elas organizam, produzem, alinham e fazem o lugar avançar. Outras, porém, chegam a ambientes estruturados e, em pouco tempo, tudo se desorganiza. A Bíblia nos ensina que não é o ambiente que define o homem; é o homem que transforma o ambiente. Essa diferença revela quem é, de fato, próspero e quem apenas deseja prosperar.
A vida de José ilustra com clareza esse princípio. Traído pelos irmãos, vendido como escravo e injustamente preso, ele nunca teve circunstâncias favoráveis. Ainda assim, a Escritura afirma:
“O SENHOR era com José, que veio a ser homem próspero” (Gn 39:2).
A prosperidade de José não nasceu das condições externas, mas da Presença de Deus que o acompanhava por onde ele passava.
Antes de qualquer realização visível, a prosperidade começa com a Presença. O texto bíblico não diz primeiro o que José fazia, mas com quem ele estava. A presença deDeus é o solo onde a prosperidade germina. Ela não é um evento isolado, mas uma atmosfera contínua. Onde Deus está, há ordem, direção e graça. Por isso, o apóstolo João escreve:
“Amado, acima de tudo, faço votos por tua prosperidade e saúde, assim como é próspera a tua alma” (3Jo 2).
A prosperidade exterior acompanha a prosperidade interior.
José não administrava apenas bens; ele administrava comunhão. Antes de governar recursos, governava seu relacionamento com Deus. Essa é uma chave essencial: a prosperidade bíblica começa na alma. Quando a vida interior está alinhada, o exterior passa a refletir essa ordem. O Salmo 1 descreve esse princípio ao afirmar que aquele que medita na lei do Senhor de dia e de noite é como árvore plantada junto a ribeiros de águas, que, no devido tempo, dá o seu fruto e tudo quanto faz será bem-sucedido (Sl 1:2–3). Não se trata de ritual, mas de estilo de vida governado pela Presença.
A partir dessa Presença, a prosperidade se manifesta de forma prática: produtividade. A Bíblia afirma que:
“tudo o que ele fazia o SENHOR prosperava em suas mãos”(Gn39:3).
José não ficou esperando circunstâncias melhores nem viveu de expectativas vazias. Ele trabalhou com excelência. Prosperidade não é correria, nem acúmulo de tarefas; é fazer o que precisa ser feito com diligência, propósito e entrega. A Palavra é clara:
“O que trabalha com mão remissa empobrece, mas a mão dos diligentes enriquece” Provérbios10:4
Deus não prospera apenas sonhos; Ele prospera ações alinhadas com Sua vontade. A diligência bíblica não é ansiedade, mas eficiência e zelo. Quem faz o mínimo, empurra responsabilidades ou age sem compromisso revela uma mentalidade escassa. Já quem age com fidelidade e excelência demonstra uma identidade próspera. Jesus ensinou isso na parábola dos talentos: os que multiplicaram receberam mais, enquanto o que enterrou perdeu até o pouco que tinha, porque o Reino opera pelo princípio da multiplicação (Mt 25:29).
Essa produtividade gera uma evidência clara: a capacidade de organizar e governar o ambiente. O homem próspero começa organizando o seu “metro quadrado”. José chegou à casa de Potifar como escravo, mas não se entregou à lamentação. Ele organizou, alinhou processos e assumiu responsabilidades. O resultado foi que a casa inteira foi abençoada por causa dele. O mesmo aconteceu na prisão e, depois, no governo do Egito. O ambiente não o dominava; ele transformava o ambiente.
Esse princípio reflete o próprio caráter de Deus. Em Gênesis, a terra era sem forma e vazia, mas o Espírito de Deus pairava sobre as águas, e a ordem foi estabelecida (Gn 1:2–3). O Espírito que cria e organiza habita em nós. Por isso, quem anda na Presença não espera as condições mudarem; muda as condições a partir do governo interior. A desordem, por outro lado, revela pobreza interior, como ensina Provérbios, ao descrever o campo do preguiçoso tomado por espinhos:
“Passei pelo campo do preguiçoso e junto à vinha do homem falto deentendimento; eis que tudo estava cheio de espinhos, a sua superfície, coberta de urtigas, e o seu muro de pedra, em ruínas. Provérbios 24:30-31
A prosperidade bíblica segue um ciclo claro, visível na vida de José. Primeiro, o Senhor era com ele: Presença. Depois, ele veio a ser homem próspero: identidade. Em seguida, tudo o que fazia prosperava: produtividade. Por fim, os ambientes ao seu redor eram abençoados: influência. A prosperidade sempre flui de dentro para fora, do menor ambiente a territórios maiores. Quando alguém tenta começar pela influência, vive de aparência. Quando começa pela Presença, o caráter é transformado, a identidade é alinhada e o fruto surge naturalmente.
Deus não deseja apenas prosperar pessoas; Ele deseja formar pessoas prósperas, para que outros sejam alcançados e abençoados.
José não orava para ser grande; ele vivia como alguém governado por Deus. A prosperidade era a expressão visível da Presença de Deus em sua vida. Por isso, não é o cenário que define o homem, mas o Espírito que habita nele. Mesmo em espaços pequenos quem carrega governo transforma o lugar onde está.
Prosperidade bíblica não é dinheiro; é identidade. Ela começa na Presença, transforma a mente, produz com direção e gera influência. O próspero não é quem tem mais, mas quem faz mais com o que Deus colocou em suas mãos. Assim como José, somos chamados a viver de tal maneira que tudo o que fizermos manifeste a graça, a ordem e a excelência do Reino de Deus.
Deus abençoe a sua vida!
Alexandre Paz

