Baseado na palavra do culto de 17/08/2025.
Vivemos dias em que a Igreja de Cristo tem experimentado um derramar de unção e de dons espirituais. Muitos, porém, acabaram permitindo que a chama da presença de Deus diminuísse. Paulo escreve a Timóteo: “Por esta razão, admoesto-te que reavives o dom de Deus que há em ti pela imposição das minhas mãos; porque Deus não nos deu espírito de covardia, mas de poder, de amor e de moderação”(2Tm1:6-7). Essa exortação continua atual. Há dons adormecidos, unções esquecidas e ministérios enfraquecidos que precisam ser reavivados pelo sopro do Espírito Santo.
O dom não é natural, mas espiritual. Foi dado por Deus e precisa ser cultivado para que não se apague. Paulo, ao lembrar Timóteo de reavivar o que havia recebido, estava dizendo: “Não deixe o fogo apagar”. Assim como uma fogueira precisa de oxigênio para continuar acesa, a vida espiritual necessita de busca constante, oração e comunhão com Deus. O Espírito Santo é quem sopra sobre as brasas do nosso coração, reacendendo o fogo e restaurando a paixão por servir.
Embora os dons sejam irrevogáveis, a unção pode enfraquecer se não houver investimento diário na presença do Senhor. Quando negligenciamos a vida espiritual, o medo e a covardia tomam o lugar da fé. Covardia não é ausência de medo, mas a decisão de não enfrentá-lo. Coragem é avançar apesar do medo, confiando em quem nos enviou. Foi assim que Deus encorajou Josué: “Sê forte e corajoso; não temas, nem te espantes, porque o Senhor teu Deus é contigo por onde quer que andares” (Js 1:9).
O mesmo Deus que deu a Timóteo o dom, deu a cada um de nós capacidades espirituais específicas. Mas a responsabilidade de mantê-las vivas é pessoal. Paulo reforça: “Não te faças negligente para com o dom que há em ti”(1Tm4:14).Receber uma unção é um privilégio; mantê-la acesa é um dever espiritual. Ninguém além de nós pode cuidar do dom que Deus colocou em nossas mãos.
Muitos recebem uma palavra profética, uma unção poderosa ou um comissionamento de Deus, mas depois tornam-se apáticos. O problema não é falta de dons, mas de zelo.
Quando deixamos o fogo apagar, perdemos o vigor e a alegria de servir. Deus deseja despertar os dons adormecidos e reacender o fogo em corações cansados. Esse despertar não acontece apenas em um culto, mas na rotina diária de comunhão e disciplina espiritual.
Paulo recorda que o Espírito Santo nos dá três pilares para viver o propósito de Deus: poder, amor e moderação. O primeiro, o poder, vem do Espírito Santo: “Mas recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo, e sereis minhas testemunhas” (At 1:8). Esse poder não é apenas para realizar milagres, mas para viver com autoridade, coragem e firmeza em cada área da vida. É o poder que nos capacita a enfrentar o dia mau, resistir às tentações e permanecer fiéis mesmo nas provações.
O segundo pilar é o amor. Paulo lembra em 1 Coríntios 13 que, sem amor, nada somos. O amor é a essência que dá sentido aos dons e motiva o serviço cristão. Amar com o amor ágape significa servir com paciência, investir tempo nas vidas, suportar as falhas do próximo e agir com coração puro. O amor nos protege do orgulho e da competição espiritual.
O terceiro pilar é a moderação, ou domínio próprio. “Melhor é o que domina o seu espírito do que o que toma uma cidade” (Pv 16:32). Moderação é equilíbrio, sabedoria e autogoverno. Antes de governar qualquer área da terra, é preciso aprender a governar a si mesmo. O domínio próprio nos ajuda a manter disciplina nas finanças, no trabalho, na família e, sobretudo, na vida espiritual. Um ambiente desorganizado frequentemente reflete uma mente desorganizada. O Espírito Santo nos ajuda a ordenar as prioridades e viver de forma equilibrada.
Esses três elementos — poder, amor e moderação — formam o tripé da maturidade espiritual. São o combustível que mantém aceso o fogo do dom de Deus em nós. Quando um deles falta, o fogo enfraquece. O medo cresce quando o poder é esquecido; a frieza domina quando o amor se apaga; e a impulsividade vence quando a moderação é perdida.
A coragem espiritual se manifesta nas pequenas atitudes do cotidiano: enfrentar o que temos evitado, tomar decisões difíceis, perdoar quem nos feriu, permanecer fiéis quando
ninguém está vendo. O Espírito Santo é quem nos reconecta à mente e ao coração de Deus, renovando força, amor e equilíbrio. Ele sopra novamente sobre as brasas da alma, reacendendo o zelo, a fé e a paixão pela presença de Deus.
“No zelo não sejais remissos; sede fervorosos de espírito, servindo ao Senhor”(Rm 12:11). Esse versículo resume o chamado desta mensagem. Talvez o cansaço, o medo ou a rotina tenham diminuído o fogo dentro de você, mas o Senhor nunca apaga completamente a chama — ela pode estar em forma de brasa, esperando o sopro do Espírito. Hoje, Ele te chama a reavivar o dom, reacender o amor, restaurar a coragem e voltar a viver em plenitude.
Não é tarde para recomeçar. Se o fogo da presença parece fraco, volte à oração, à Palavra, à comunhão e ao serviço. O mesmo Deus que acendeu o fogo no início da sua jornada está pronto para soprar sobre você novamente. Reaviva o dom que há em ti — e deixe o Espírito transformar brasas em chamas vivas outra vez.
Deus abençoe a sua vida!
Alexandre Paz

