Baseado na palavra do culto de 27/07/2025.
Há momentos em que a nossa fé é testada em um nível mais profundo — não por falta do amor de Deus, mas porque o céu deseja revelar a maturidade que nasce da perseverança. É nesse ambiente de aparente silêncio que se manifestam as convicções mais genuínas do coração. Foi assim com a mulher cananeia, cuja história em Mateus 15:21-28 revela a força de uma fé que não recua diante das barreiras, do silêncio nem da aparente rejeição.
Jesus havia se retirado para a região de Tiro e Sidom — território gentio, marcado pela idolatria. Ali vivia uma mulher desesperada, pois sua filha estava terrivelmente oprimida por um espírito maligno. Nada do que ela conhecia podia resolver aquela situação. Ela, então, reconheceu que o problema era espiritual e foi até Jesus, clamando: “Senhor, Filho de Davi, tem compaixão de mim! Minha filha está horrivelmente endemoninhada” (Mateus 15:22).
O texto diz que Jesus não lhe respondeu palavra. Que dor é essa — clamar por ajuda e receber silêncio? Mas aquele silêncio não era desprezo; era prova. O silêncio de Deus muitas vezes revela o quanto realmente cremos. A fé que se ofende com o silêncio não é fé madura; é fé condicionada. Mas a fé que permanece, mesmo sem resposta imediata, amadurece, cresce e gera testemunhos.
A mulher cananeia não desistiu. Mesmo sendo gentia, ela rompeu barreiras culturais e religiosas. Continuou clamando, até ouvir os discípulos pedirem: “Despede-a, pois vem clamando atrás de nós.” E Jesus, testando a profundidade da sua fé, respondeu: “Não é bom tomar o pão dos filhos e lançá-lo aos cachorrinhos” (Mateus 15:26). Que resposta dura! Mas ela não se ofendeu, não recuou, não desistiu. Em humildade e fé, respondeu: “Sim, Senhor, porém os cachorrinhos comem das migalhas que caem da mesa dos seus donos” (v. 27).
Essa declaração revela algo precioso: ela não precisava do pão inteiro, apenas de uma migalha vinda de Jesus. Ela compreendia que uma pequena porção da presença de
Cristo seria suficiente para mudar toda uma história. Essa fé não exige, apenas confia. É a fé que move o coração de Deus, porque nasce da rendição e da adoração.
O texto diz que ela “veio e o adorou, dizendo: Senhor, socorre-me!” (Mateus 15:25). Antes ela apenas clamava; agora, adora. E é nesse ponto que o ambiente espiritual muda. A verdadeira adoração não é movida por recompensas, mas pela revelação de quem Deus é. Quando adoramos em meio à dor, tocamos o coração do Pai. A fé perseverante sempre se expressa em adoração, porque quem adora não depende das circunstâncias para crer.
Muitos desistem no meio do caminho porque confundem o teste com a rejeição. Mas a mulher cananeia nos ensina que o processo não é o fim, é o caminho da revelação. Jesus testou sua fé não para afastá-la, mas para revelá-la. E quando ela foi aprovada, o Senhor declarou: “Ó mulher, grande é a tua fé! Faça-se contigo como queres” (Mateus 15:28). Naquele mesmo instante, sua filha foi curada. O milagre não aconteceu no início do clamor, mas no ponto máximo da perseverança.
Essa fé é a que Deus deseja ver em nós — uma fé que não desiste no primeiro obstáculo, que não se ofende com o silêncio e que não se afasta quando os outros dizem “vá embora”. É a fé que permanece prostrada, adorando e crendo, até que o Senhor libere a palavra que muda tudo. Como Jacó, que disse: “Não te deixarei ir, seme não abençoares” (Gênesis 32:26), a mulher cananeia permaneceu até ouvir a resposta.
Muitas vezes, o que Deus quer de nós não é mais um clamor, mas a postura da fé que insiste. Essa fé muda decretos, quebra cadeias espirituais e destrava destinos. A filha daquela mulher representa todos os que amamos e que estão sob opressão, enfermidade ou aprisionamento espiritual. Representa também nossos sonhos e áreas da vida que parecem estagnadas. Jesus quer liberar uma palavra sobre essas áreas — mas Ele procura corações que perseveram até o fim.
Talvez você também esteja diante de um silêncio divino. Parece que Deus não ouve, que nada muda, que as promessas estão distantes. Mas o céu continua atento. A resposta está sendo formada no invisível. Enquanto você persevera, Deus trabalha. Não pare de
clamar, não pare de adorar, não pare de crer. O silêncio é apenas o intervalo entre a semente da fé e a colheita do milagre.
O mesmo Jesus que ouviu a mulher cananeia continua ouvindo hoje. E assim como ela voltou para casa com uma palavra, você também pode sair da presença de Deus com a certeza de que algo já foi liberado no mundo espiritual. Ela não precisou ver o milagre acontecer para crer — ela creu, e então viu. Essa é a fé que agrada a Deus.
A fé perseverante não apenas obtém respostas; ela gera testemunhos. E o testemunho que nasce da perseverança edifica gerações. Foi assim com aquela mulher, foi assim com os patriarcas e será assim conosco. Porque quando Deus encontra uma fé que não desiste, Ele libera poder, transforma realidades e escreve novas histórias.
Deus abençoe a sua vida. Alexandre Paz

